Tenho assistido a um acumular de opiniões rídiculas, infundadas e até mesmo traiçoeiras sobre este movimento.
Existe muita gente (tal como eu vi e ouvi no TEDx) que acha que este movimento é um hino à subsidiódependencia, à preguiça ou outro qualquer sentimento, que está tão longe da verdade e tão longe da razão por detrás do seu movimento. Quem assim pensa só podem ser pessoas pouco informadas e por consequência, preguiçosas por não quererem saber ou nem se darem ao trabalho de experimentar pensar sobre o assunto.
Encaixam neste perfil as pessoas presunçosas, que nasceram em berço de ouro ou as que souberam aproveitar uma oportunidade em bom tempo, no tempo em que as oportunidades abundavam e souberam (e esse é o valor delas) manter essa oportunidade como projecto de vida.
E eu até estou num posição confortável para falar do assunto, porque tenho trabalho, sou pago, a empresa nunca me faltou com nada e até tenho sido aumentado ao longo dos anos. Curiosamente (ou não) tenho hoje menos para governar o meu mês do que o que tinha quando comecei a trabalhar.
Agora, quem pensa que as pessoas que se identificam com este movimento, são um bando de preguiçosos e oportunistas, desengane-se, seja humilde e informe-se. Vou dar alguns exemplos.
O que estes grupo de pessoas que se manifestou pretende é TRABALHO. Foi por isso que elas se manifestaram.
- Manifestaram-se, porque a cada dia que passa, as oportunidades de trabalho são menos;
- Manifestaram-se porque as oportunidades de criar novas empresas e projectos são cada vez piores, porque não há bancos interessados em ajudar a arrancar um negócio;
- Manifestaram-se porque estão cansados de ver o esforço que tiveram para conseguir dar aos filhos uma formação qualificada a cair em saco roto, ou pior que isso a vê-lo a ser investido no estrangeiro;
- Manifestaram-se porque estão cansados que os governantes tomem conta da nossa vida, para beneficio próprio;
- Manifestaram-se porque estão cansados de ouvir o discurso do esforço e do apertar do cinto, mas que é só para alguns;
- Manifestaram-se porque estão cansados de verem pessoas que trabalharam uma vida inteira e que tem como reforma 200 e poucos euros;
- Manifestaram-se porque sentem que os valores do 25 de Abril estão a ser constantemente atacados e violentados;
- Manifestaram-se porque estão cansados de olhar para a frente e terem empresas que lhes oferecem migalhas em troca de horas de trabalho sem fim;
- Manifestaram-se porque vêem o fosso entre os ricos e os pobres a aumentar a cada dia que passa;
- Manifestaram-se porque sentem que a cada pedido de esforço e contenção, surge uma despesa do estado que não faz qualquer sentido;
- Manifestaram-se porque não sabem como vão constituir familia, se não tem ordenados para suportar esse peso orçamental familiar;
- Manifestaram-se porque vêem os bancos a serem apoiados nos braços do Estado enquanto a população sente a chapada do Estado;
- Manifestaram-se porque sentem que a Justiça não funciona e que quem tem poder pode fazer tudo o que quer, sem olhar a meios;
- Manifestaram-se porque querem TRABALHAR, querem e não podem.
- Manifestaram-se porque vêem os pais a naõ receber o ordenado ao fim do mês de trabalho;
- Manifestaram-se porque se cansaram de ver que os baixos salários em Portugal são apresentados como vantagens competitivas;
- Manifestaram-se porque se cansaram de ser obrigados a descontar para a Segurança Social e terem a certeza que não vão ter direito a reforma, e que a sua saúde é basicamente paga à parte;
- ETC, etc.
São enfermeiros a recibos verdes que estão a ser empurrados para fora do país quando fazem falta cá, são professores que estão a ser humilhados pelos governantes, são milhares de licenciados que sentem que mais valia não ser licenciado (porque em muitos dos casos isso tem-lhes sido prejudicial), são candidatos a advogados que tem de estagiar dois anos de borla. São pessoas que não pretendem ser licenciados, mas que também tem direito a ter condições de emprego condígno.
Mas isto só sente, quem vem cá abaixo, quem tenta entrar na vida do outro que está ao lado. Muitos desses filhos de escritores, directores de jornais, ou poetas, já alguma vez pensarem em descer cá abaixo, fazer o percurso que por exemplo eu fiz. "Nascido" de um bairro social do Porto e ter hoje uma vida um pouco melhor do que a que tive no inicio da minha vida, porque os meus pais e a minha familia em geral, fez por isso.
Aparecem agora uns sujeitos que acham que dificuldades é ter de passar por uma guerra, foram à guerra? O meu pai esteve dois anos em Angola e nunca o vi com tanta vontade de se manifestar como o vi na "Geração à Rasca". Muitos dos manifestantes eram ex-combatentes do ultra-mar. Utilizem do argumento da guerra com estas pessoas, experimentem.E foi isto que eu presenciei no TEDx. Gente muito bem colocada na vida, na casa dos seus 40 anos (QUE NUNCA SOUBERAM O QUE É O PRÉ 25 DE ABRIL) falaram do alto do seu mural, que não sabiam que eram da Geração à Rasca até agora. Pois eu dou-vos uma novidade, vocês não pertencem a essa geração, porque vocês não sofrem os problemas destes que se manifestam.
Um dos oradores, de quem falerei, na actualização do post anterior, ficou tetra-plégico num acidente, a fazer surf. Diz ele que conseguiu cumprir todos os seus sonhos, entre eles: como já praticava vela antes do acidente, conseguiu depois do acidente ser campão do mundo de vela (PARABÉNS); bateu o recorde de velocidade em SKY na neve (antes do acidente já gostava de praticar este desporto também) e é provador de vinhos, curso que conclui antes do acidente. Dou valor à sua força de vontade, mas acho que não é preciso muito pensar muito para perceber como é que estes sonhos foram realizados...
Perguntem aos outros tetra-plégicos do país, que têm tanta ou mais força de vontade que este e tirem as vossas conclusões.
Por isso, estamos a falar de gente que inclusivé deveria ter nos ideias do pais, os valores da revolução, mas por certo perdeu-os com o cheiro da multiplicidade de cores que lhe invade os bolsos.Não, não estou a retirar valor a estas pessoas, apenas tento coloca-las no lugar delas, no da Alta Burguesia. Essa mesma que está cada vez mais afastada da Baixa Burguesia e que tem horror a pobres. Eu também tenho horror a pobres, bato-me para que eles não existam.
Há gente mal intencionada em todo o lado, há pobres preguiçosos, há ricos preguiçosos, há pobres drogados e há ricos drogados, há pobres calaceiros e há ricos calaceiros.
Estas pessoas que tantos acham que não querem eé trabalhar, de forma gratuita organizaram uma manifestação, para fazer ouvir a quem está no pedestral que o povo está aqui, que o povo não é uma história contada para adormecer os meninos ricos.
Não sei como é que se junta tanta gente no país e no estrangeiro, num evento (coisa que só o futebol consegue neste país) a lutar pelos mesmos ideiais, sem trabalho ou dedicação... e sem ganhar dinheiro!!!
Uma vez vi num filme uma frase que me fez pensar e que tem marcado os meus valores desde então: "O povo não deve ter medo dos seus Governantes, os seus Governantes é que devem temer o seu povo." E é isto que este movimento está a tentar fazer. Mexer-se, está a tentar tomar as rédeas de um país que aos poucos foi entregue a alguns que se aproveitam de todos. Mas atenção que isto não é um movimento isolado nem localizado, vão continuar a surgir por este país e por esta Europa fora e quem sabe, o mundo, movimentos semelhantes. Isto foi só o começo... e refiro-me a movimentos pacificos, porque movimentos armados, já estão a acontecer. O Povo cansou-se.Por isso, e como esta gente, não pertence às multiplas gerações que se manifestam (porque é o único meio pacifico de chamar a atenção para os problemas que existem), peço-vos que se CALEM, não falem do que não conhecem, porque no dia em que quiserem conhecer vão ser surpreendidos pelo esforço que estas pessoas fazem todos os dias.
Muito ficou por dizer e muito mais terei a dizer sobre isto. Pensem e reflictam. Coloquem-se na pele dos outros antes de falar.
E por fim e para aprenderem, porque é isso que faz falta neste país, é vontade de aprender. Toda a gente tem uma opinião, mas ninguém aprende nada com os outros. Mas deixo-vos o manifesto do movimento e deixo-vos uma noticia para verem como as acções são continuas.

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